Shizuka (静香)

Shizuka (静香) foi uma banda japonesa ativa entre 1992 e 2010. Respeitada dentro do seu próprio meio, mas pouco famosa fora dela, Shizuka faz parte de uma parcela do Japanoise que focou em misturar rock psicodélico e noise rock. Se você já escutou Les Rallizes Dénudes, Fushitsusha, Suishou no Fune, Kousokuya, ou conhece o selo PSF Records, já sabe o que esperar. Se não, Shizuka é talvez uma das melhores bandas para conhecer essa cena.

Se eu pudesse dar uma descrição da sonoridade de Shizuka, diria que é o que aconteceria num universo alternativo em que o Cocteau Twins tivesse nascido do hard psych, e não do rock gótico. Shizuka Miura e Maki Miura foram a única parte fixa da banda. Ela, responsável pela voz, pela letra, e por dar a base da composição das canções; ele, por expandir esta última, e como guitarrista, contribuir com solos de guitarra longos, emotivos, e distorcidos o suficiente para encaixarem a banda dentro do noise rock. A alternância funcionou perfeitamente: uma frieza derretedora nos vocais recitados da Shizuka, uma melosidade áspera nos segmentos instrumentais de Maki.

Conheci Shizuka em 2022. Tudo me pegou de cara: a sonoridade, a estética, a aura, as letras, a vida dos dois integrantes principais. Shizuka Miura foi, além de musicista, artesã de bonecas ball-jointed (lindíssimas, por sinal). Suas letras, tão fúnebres e elegíacas, talvez fossem um preparo para a perda e a morte, mas também pra transformação. Minha vida tem sido um caos tão belo quanto assustador desde 2022, e Shizuka foi-me companhia assídua e acalentadora em momentos incríveis e terríveis. Escuto de tudo, do K-pop ao black metal, de RnB a post-punk, de disco a hardcore, mas ainda assim Shizuka tornou-se minha banda favorita de qualquer gênero, época e lugar.

Meu pseudônimo, flor do fim, vem de uma das músicas de Shizuka.

Pretendo inserir coisas interessantes e úteis, além de reviews meus, neste webshrine. Por um bom tempo (especialmente considerando que alguns dos materiais sobre a banda estão em japonês ou em mandarim, línguas que não domino, mas pretendo, ao menos no caso da primeira) as coisas aqui serão um Trabalho em Progresso.